Semantix conclui aquisição da Atos já pronta para operar como uma só empresa
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Foram quatro meses intensos entre o anúncio do acordo vinculante de aquisição, em 26 de dezembro de 2025, e o fechamento da transação que consolida a compra das operações da Atos na América do Sul pela Semantix.
Durante o período que as regras do processo impediam qualquer atuação conjunta formal, as empresas podiam planejar a integração e fizeram isso de forma objetiva. Planejaram a construção do portfólio, do modelo operacional, do posicionamento e, principalmente, focaram no entendimento do que cada empresa era antes de definir o que elas seriam juntas.“Com esse planejamento finalizado, estamos prontos para começar”, sentencia Nelson Campelo agora CEO da Semantix.
A frase, que poderia soar como otimismo típico de anúncio, aqui carrega outra leitura: a de que o fechamento da transação não marca apenas o início da operação combinada, mas o começo da execução de algo que já foi, em grande parte, estruturado.
Antes de discutir sinergias financeiras, sobreposição de clientes ou eficiência operacional, a prioridade foi entender, com profundidade, como as duas empresas funcionavam na prática.
Em 30 dias, mais de cem entrevistas foram conduzidas com executivos e especialistas das duas organizações, com o objetivo de entender a mensagem pública que as empresas levavam ao mercado, de diferentes ângulos. “Escutava o mesmo portfólio sendo descrito de diferentes pontos de vista. E era exatamente isso que precisava entender”, afirma Fabiana Falcone, inicialmente convidada pela Semantix como consultora da integração e hoje anunciada como vice-presidente de Estratégia e Portfólio da Semantix.
O objetivo das conversas era entender sinergias e oportunidades de ajustes do portfólio. Esse movimento cuidadoso revelou rapidamente que havia camadas de valor, competências e interdependências que só se tornavam visíveis quando as ofertas eram analisadas em conjunto e não isoladamente.
“Quando comecei a cruzar as visões, ficou muito claro que não era só complementaridade de portfólio. Era uma riqueza de capital intelectual muito grande, que se combinava de formas diferentes dependendo do problema que a gente queria resolver”, afirma Fabiana.
O que, inicialmente, se estruturou como um trabalho de organização do “as is”, como define a executiva, evoluiu ainda nesses quatro meses, para o desenho do “to be”, o portfólio futuro da companhia combinada. Um avanço que antecipa uma etapa que, em processos tradicionais, costuma acontecer apenas após a conclusão da operação.
“Na prática, aceleramos esse processo porque a complementaridade era muito evidente. Isso nos deu segurança para avançar mais rápido do que o planejado”, completa.
Ao lado da Fabiana, a estrutura mantém lideranças-chave, como vendas, liderado pela Ana Viana, e delivery, liderado por Daniel Lopez, mas agora operando de forma integrada e orientada por um modelo comum.
Como se o processo de integração entre as operações da Atos e da Semantix já não fosse, por si só, desafiador, havia uma camada adicional acontecendo em paralelo. Durante os mesmos meses, a companhia também concluía a integração da GAVB Consulting, boutique especializada em dados e IA que pertencia ao Grupo Boticário, ampliando o escopo do trabalho e elevando o nível de coordenação necessário entre times, portfólios e estruturas. “Na prática, estávamos fazendo o planejamento de duas integrações ao mesmo tempo”, conta Fabiana.
A sobreposição dos processos não apenas aumentou o volume de trabalho, mas também exigiu uma abordagem mais estruturada, capaz de absorver múltiplas frentes sem perder coerência estratégica.




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