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Hiker Ventures, fundo de butique de M&As, fecha segundo aporte

Acostumada a assessorar empresas que estão à venda, a mineira Araújo Fontes é um raro caso de butique de M&As que decidiu se aventurar como investidora de startups.


Apesar de incomum, a decisão tem um racional um tanto intuitivo: se boa parte das startups é fundada para um dia ser vendida, por que não entrar como acionista logo no início e depois usar a expertise em M&As para promover a venda em um estágio mais maduro?


Valendo-se dessa tese, a butique criou o próprio fundo de venture capital, a Hiker Ventures, em sociedade com o banco BMG, e, aos poucos, tem montado um portfólio focado em negócios B2B — uma estratégia que mira a venda da startup, lá na frente, para grandes companhias que gostam de comprar fornecedores, como costuma ocorrer com bancos e fintechs, por exemplo.


Com R$ 20 milhões disponíveis de capital proprietário dos sócios do fundo, a Hiker acaba de fechar o segundo aporte, com a injeção de R$ 2,5 milhões na Fluna, uma startup de automação de soluções de tecnologia. Trata-se de um negócio que busca driblar a baixa oferta de oferta de profissionais de TI em comparação à demanda das empresas.


"Criamos uma tecnologia que permite que diferentes tecnologias, com linguagens diferentes, se comuniquem através de peças, como caixas de lego, e novas soluções possam sair do zero ao 100% de forma muito rápida, sem precisar de grandes times de tecnologia ou com grande experiência", afirma Paulo Cerqueira, CEO da Fluna, fundada pelo empreendedor Alysson Nazareth.


Este é o primeiro cheque que a Fluna recebe. Com operação iniciada em 2020, a startup vinha sendo tocada com recursos próprios e hoje tem 25 pessoas e 32 clientes, incluindo a Johnson & Johnson. A empresa não revela o quanto gera de receita, mas a Hiker Ventures tem como regra só investir em negócios que tenham um faturamento anual de pelo menos de R$ 1 milhão.


"Não queremos participar da jornada de negócios que querem sair do zero para o primeiro milhão, mas sim ajudar negócios a fazer algo entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões. São startups que já validaram e estão começando a tracionar", afirma Rodrigo Moreira, sócio da Hiker Ventures e que foi contratado pela Araújo Fontes junto com Guilherme Chernicharo para tocar o fundo.


Ao mirar uma venda lá na frente, a Hiker tem o plano de fazer saídas com prazos de três a cinco anos. A ideia é focar em startups que tenham uma densidade de produtos, com espaço para crescer e com empreendedores dispostos a receber a ajuda do VC.


"E não estamos buscando unicórnios óbvios. As empresas [potenciais compradoras] querem os seus próprios unicórnios, investindo em empresas que ajudam outras empresas a melhorar suas receitas e a reduzir custos. Essas serão as adquiridas pelas grandes no meio do caminho", diz Moreira.

Antes da Fluna, o primeiro aporte da Hiker foi na healthtech Radar Fit, também de R$ 2,5 milhões, em uma rodada de R$ 5 milhões que contou também com a WE Ventures.

O plano da Hiker é atrair novos investidores em 2024 e chegar a um capital de R$ 50 milhões no primeiro semestre para alocação. Outros três aportes já estão perto de serem finalizados.



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