top of page

Erros e acertos em operações de M&A no varejo alimentar

  • Foto do escritor: Akurat
    Akurat
  • 5 de jun.
  • 4 min de leitura
ree

PRINCIPAIS FATORES QUE TÊM INFLUENCIADO OS EMPRESÁRIOS DO VAREJO ALIMENTAR A OPTAR POR OPERAÇÕES DE M&A


Nos últimos anos, a conjunção de fatores e de mudanças de cenários econômicos e sociais têm interferido bastante na operação das lojas de supermercados e, com isso, influenciado os empresários do varejo alimentar a olhar com maior atenção para as operações de M&A. De um lado, seja como alternativa de saída do negócio (no caso de grupos vendedores) ou, de outro, como alternativa mais eficiente de crescimento (exemplo de organizações que pretendem focar sua expansão).


Do ponto de vista dos grupos vendedores, o que temos verificado, com base nas operações que assessoramos nos últimos anos, é que os principais fatores, que têm levado o empresário ou família proprietária das lojas de supermercado a tomar a decisão de transicionar o negócio, são:


Dificuldades na sucessão: decorrentes de grande dificuldade do fundador em conseguir formar sucessores e engajar as próximas gerações da família, filhos e netos para dar continuidade à empresa familiar


Concorrência acirrada: advinda do rápido aumento da concorrência no varejo alimentar, por meio da abertura de inúmeras novas lojas em diversos formatos, como supermercados tradicionais, atacados, atacarejos, lojas de vizinhança, entre outros. Ou seja, o que se verificou, nesta década, é um aumento relevante na quantidade de novas lojas disputando o mesmo consumidor, considerando que a população das cidades não avança em igual proporção da abertura das novas unidades


Endividamento elevado e altas taxas de juros: um terceiro fator, que tem influenciado diretamente na decisão de alguns empresários do varejo alimentar a vender a sua loja ou rede, certamente envolve o elevado nível de endividamento de algumas companhias da área.


Constatamos em nossas conversas com os supermercadistas que algumas redes tradicionais do setor, que contrataram endividamentos e financiamentos para expansão e abertura de lojas em 2020 e 2021 a taxas de juros relativamente baixas à época, atualmente vêm sofrendo bastante para arcar com os compromissos assumidos. Isso porque essas dívidas, contratadas em sua maioria a juros pós-fixados, atualmente encontram-se num patamar de taxas extremamente altas e inviáveis para o setor supermercadista. E, assim, tornaram-se insustentáveis, forçando alguns empresários a vender o seu supermercado.


Opção de mudança de atividade para outras de menor risco: um quarto fato, que também tem influenciado a decisão de alguns empresários para saída do setor, considera a análise de risco versus o retorno do setor supermercadista. Explico: o empresário do setor de varejo de alimentos, tradicionalmente e em sua maioria, sempre teve o hábito de investir no setor imobiliário, em especial, na compra de imóveis para a construção de lojas próprias.


E, em um cenário tão desafiador como o atual, alguns empresários têm feito a seguinte conta: se a operação de supermercado normalmente deixa um lucro líquido em torno de 2% a 3% na média e dividendos na ordem de 1,5%, faz mais sentido, financeiramente, vendê-la para um bom operador do setor (as operações de venda têm sido precificadas – em média – em torno de 30% do faturamento bruto anual). E se manter como dono dos imóveis dos estabelecimentos, alugando esses espaços por um valor que pode chegar a 1,5% do faturamento da loja.


Ou seja, o empresário opta por sair do risco da operação. No fim do dia, continua tendo uma receita mensal praticamente igual àquela que possuía fazendo a gestão das unidades e correndo todo o risco da operação de lojas de supermercados.


Baixa concentração e consolidação do setor supermercadista: por fim, outro fator é a baixa concentração das redes de supermercados e a consolidação do setor via o expressivo aumento das operações de fusões e aquisições envolvendo lojas e redes.

Nesse cenário, o empresário tem aproveitado o momento de consolidação e a alta demanda por boas lojas para vender sua operação em um momento em que o setor está precificando relativamente bem as unidades e as redes de supermercados. O Ranking ABRAS 2024 demonstra que, não obstante as operações de M&A que têm ocorrido no setor, o índice de concentração das redes de supermercados ainda é muito baixo, se comparado aos números do varejo alimentar em outros países. Isso demonstra que ainda existe muito espaço para consolidação de redes por meio de M&A.


Já do ponto de vista dos grupos compradores, os principais fatores que têm levado os empresários do setor supermercadista, de pequeno, médio e grande porte a decidir pela expansão, por meio da aquisição de outras lojas e redes, estão demonstrados no quadro resumo.



PRINCIPAIS ERROS E ACERTOS EM OPERAÇÕES DE M&A NO VAREJO ALIMENTAR:

ERROS


  • FALTA DE CLAREZA NA ESTRATÉGIA


  • AVALIAÇÃO IMPRÓPRIA


  • DUE DILIGENCE SUPERFICIAL


  • ERRO NO FOCO DAS SINERGIAS


  • RESISTÊNCIAS E CHOQUES CULTURAIS


  • FALHAS NA INTEGRAÇÃO


ACERTOS


  • ALINHAMENTO ESTRATÉGICO CLARO


  • AVALIAÇÃO RIGOROSA


  • DUE DILIGENCE DETALHADA


  • PLANEJAMENTO REALISTA DE SINERGIAS


  • VALORIZAÇÃO DA CULTURA ORGANIZACIONAL


  • PROGRAMAS DE INTEGRAÇÃO BEM-DEFINIDOS


PRINCIPAIS ETAPAS DAS OPERAÇÕES DE M&A NO VAREJO DE ALIMENTOS

O quadro acima, que traz um resumo, demonstra quais são as principais etapas de uma operação de M&A no varejo de alimentos:

ree

Autor:

Leonardo Tonelo

Advogado especialista em operações de Mergers & Acquisitions (M&A) no varejo alimentar. Atua nas áreas de M&A, planejamento sucessório e governança familiar e corporativa para empresas familiares


Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page