Dona da WeWork adia IPO após resposta fria de investidores



A We Company, dona da WeWork, adiou sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), deixando de lado os preparativos para lançá-la este mês após uma fraca resposta dos investidores aos seus planos.


A startup norte-americana de escritórios compartilhados estava se preparando para um road show de investidores para sua abertura de capital nesta semana antes de tomar a decisão na última hora na segunda-feira de desistir, disseram fontes familiarizadas com o assunto.


A empresa está sob pressão para prosseguir com a listagem de ações para garantir financiamento para suas operações.


No Brasil, a WeWork tem operações em Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo. No período que antecedeu o lançamento de seu IPO, a We Company enfrentou preocupações com seus padrões de governança corporativa, bem como com a sustentabilidade de seu modelo de negócios, que se baseia em uma mistura de passivos de longo prazo e receita de curto prazo, e como esse modelo suportaria uma crise econômica.


A Reuters informou na semana passada que a We Company poderia buscar uma avaliação em seu IPO entre US$ 10 bilhões e US$ 12 bilhões, um desconto relevante em comparação com a avaliação de US$ 47 bilhões alcançada em janeiro.


Se a We Company tivesse seguido com o IPO com uma avaliação tão baixa, isso representaria uma grande virada no crescimento na última década do setor de capital de risco, que levou ao surgimento de startups como a Uber Technologies, Snap e Airbnb.


Isso significaria que a We Company seria avaliada abaixo dos US$ 12,8 bilhões em patrimônio que levantou desde que foi fundada em 2010, segundo o provedor de dados Crunchbase.


E isso seria um golpe para o seu maior patrocinador, o SoftBank Group Corp, do Japão, em um momento em que está tentando reunir US$ 108 bilhões com investidores para o seu segundo Vision Fund.


O SoftBank estava discutindo apoiar o IPO comprando ações entre US$ 750 milhões e US$ 1 bilhão, disseram as fontes. No entanto, a We Company decidiu na segunda-feira que, mesmo com o apoio do SoftBank, o IPO teria levantado pouco mais de US$ 2 bilhões, abaixo da meta de pelo menos US$ 3 bilhões.


Essa está vinculada a uma linha de crédito de US$ 6 bilhões que a We Company garantiu aos bancos no mês passado, que exige que faça uma abertura de capital até o final do ano e que levante pelo menos US$ 3 bilhões, disse uma das fontes. Se a empresa sediada em Nova York não cumprir essa meta até o final do ano, precisará garantir financiamento alternativo.


O Wall Street Journal informou pela primeira vez sobre o possível atraso do IPO. A última vez que o SoftBank investiu na We Company foi em janeiro, avaliando a empresa em US$ 47 bilhões ao injetar US$ 2 bilhões em dinheiro. Ele estava pressionando a empresa a adiar seu IPO.


Publicado em: ppv.datamark.com.br

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