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Na fusão da Vero e Americanet, sinergia aumenta em 30%

Enquanto aguardavam aprovação regulatória para fusão, agora concluída, a Vero e Americanet descobriram que suas sinergias são ainda maiores do que sinalizaram no anúncio da operação. Num trabalho que contou com consultoria da Bain&Co, a nova companhia — que deve ser rebatizada dentro de 90 dias —, as empresas concluíram que vão extrair cerca de R$ 1 bilhão, em valor presente líquido, até 2030, cerca de 30% a mais do que o estimado no deal.


“Nos surpreendeu muito positivamente. A gente já enxerga algo próximo de R$ 160 milhões em fluxo de caixa direto para 2025 e algo em torno de R$ 460 milhões de cashflow para 2028”, diz Fabiano Ferreira, que era o CEO da Vero e será o CEO da empresa combinada. “Boa parte disso vai vir de vender mais serviço para o mesmo cliente”, emenda ele, sobre a estratégia de cross selling.


Inicialmente, as sinergias eram calculadas em cerca de R$ 150 milhões anuais, mas somente a partir de 2025. Após o trabalho da consultoria, os executivos entenderam que os maiores ganhos viriam de explorar melhor o portfólio para que a companhia fornecesse uma rede integrada de serviços de telecomunicações.


As companhias somam 1,5 milhão de clientes, chegando a 4,7 milhões de usuários finais dos serviços. O principal produto da Vero é a banda larga para pessoas físicas, enquanto a Americanet tem também o direito de utilizar parte da rede móvel (MVNO) em contrato com a TIM, além de TV a cabo, com posicionamento estratégico no B2B — já são 14 mil CNPJs no portfólio de clientes, enquanto o B2B representa ainda menos de 8% da Vero, o que indica um potencial a explorar na carteira.


Em termos geográficos, as duas também se complementam. A Vero tem forte presença na região Sul e em Minas Gerais, enquanto a força da Americanet é São Paulo. As duas se sobrepõem nos estados do Centro-Oeste e, ao todo, a companhia combinada está presente em mais de 420 cidades.


A companhia estuda ainda como monetizar a extensa base de dados, nos conformes da LGPD. É uma forma, também, de entender como entregar um melhor serviço, para além da internet mais rápida.


Considerando os dados dos últimos nove meses, a nova empresa soma receita de R$ 1,9 bilhão, com Ebitda de cerca de R$ 700 milhões. A Vero+Americanet tem cerca de 3,2% de market share. “É uma companhia que nasce como a quinta maior no setor, mas já estamos de olho em quarto lugar, no terceiro.


Nossa estratégia já era semelhante nesse sentido, em aliar crescimento orgânico e M&As, vamos manter dessa forma”, diz Lincoln Oliveira, o então CEO da Americanet que vai presidir o conselho de administração. "Telecom não para, então quem não cresce, encolhe.”


As movimentações de M&A em telecom são intensas: as duas mesmo já tinham feito 47 aquisições até aqui. A Alloha, da EB Capital, já comprou nove provedoras regionais, a Desktop contratou o Bank of America para vender sua rede de fibra e o J. Safra vendeu a Cinco Telecom para uma estrangeira que quer entrar na briga, a alemã Emnify. Nas grandes, Citi e BTG buscam compradores para a ClientCo da Oi.



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