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H.I.G. pode injetar mais de R$ 117 milhões na Desktop


Três anos depois de comprar o controle da Desktop e levá-la à bolsa, o fundo de private equity H.I.G. Capital deve fazer uma nova injeção de capital na companhia de fibra óptica. A gestora, que tinha 60% da empresa antes do IPO e hoje tem 39%, deve acompanhar a subscrição privada da Desktop em, pelo menos, sua proporção atual de participação.

A Desktop vai fazer um aumento de capital de, no mínimo, R$ 120 milhões e, no máximo, R$ 300 milhões. É uma cifra relevante para uma companhia com cerca de R$ 800 milhões de market cap. Para não ser diluído, o private equity deve aportar entre R$ 46,8 milhões e R$ 117 milhões, conforme o montante total da capitalização. Não é um compromisso do fundo, no entanto, somente uma sinalização - mas é possível ainda aumentar a posição, com subscrição das sobras. A capitalização será feita a R$ 9 por ação, um desconto de 9,6% sobre a cotação de fechamento de sexta, o que leva à correção do preço em bolsa (o papel cai 7,2% nesta segunda-feira). A Desktop fez IPO em julho de 2021, vendendo ação a R$ 23,50. Depois da H.I.G., o maior acionista é o fundador e CEO Denio Alves Lindo, com 19,1%, que também deve aderir à capitalização para não ser diluído. Fundos da JGP e da Navi também aparecem no quadro societário, com 5% cada. A operação vai fortalecer a estrutura de capital da companhia, o que já vinha sendo um ponto de foco no último trimestre, com a redução de alavancagem e ganhos de eficiência, e também visa manter as estratégias de crescimento, inclusive com aquisições. Em agosto, por exemplo, a companhia comprou a IDC e a Fasternet, adicionando 155 mil acessos, e assim somando 749 mil casas conectadas. A Desktop ajustou a estratégia de crescimento, buscando aumentar a penetração nas cidades em que já opera, ao invés de expandir geograficamente. "A administração vislumbra diversas oportunidades mapeadas com elevado potencial de geração de valor para os acionistas no longo prazo, mantendo níveis de endividamento saudáveis, que permitam a continuidade e aceleração do projeto de crescimento", justificou a companhia em comunicado ao mercado sobre a capitalização. No terceiro trimestre, considerando haver maior "incerteza macroeconômica", segundo a administração, a companhia acelerou a incorporação de empresas adquiridas, renegociou contratos e reduziu equipe. Com isso, conseguiu aumentar a margem Ebitda em 5 pontos percentuais, para 50%, na comparação com o trimestre anterior, e reduziu a dívida líquida sobre Ebitda proforma de 2,8x para 2,5x. O BTG Pactual calcula que, considerando o que a companhia ainda tem a pagar em aquisições já anunciadas, a alavancagem está em 3,5x, e o banco projetava esse índice a 3,7x no fim do quatro trimestre - ou 2,3x excluindo esses pagamentos remanescentes. "Com o aumento de capital, essa alavancagem no ano deve cair a 2,8x (ou 1,4x quando excluídos M&As passados), considerando o topo da capitalização, ou 3,3x (1,9x excluindo M&As passados), considerando o volume mínimo de subscrição", diz relatório da equipe de Carlos Sequeira. O banco, que tem recomendação de compra para o papel e preço-alvo de R$ 20 em 12 meses, considerou que o reforço na estrutura de capital é positivo para o crescimento no médio prazo, ainda que implique em redução do lucro por ação para a base atual de acionistas no curto prazo - um EPS para 2023 7% a 26% inferior ao que era projetado pelo banco sem a capitalização. Em nove meses, a Desktop somou lucro de R$ 40 milhões, alta de 147% sobre o mesmo período do ano passado. No IPO, em 2021, a H.I.G. cancelou a tranche secundária diante do preço menor que esperado, seguindo com a operação que colocava dinheiro no caixa da companhia. A redução de sua posição desde a listagem se deu basicamente pela diluição com a oferta primária e com parte em venda no mercado à vista.



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