Compra da Linx é a ponta do iceberg



O movimentado mercado de sistemas de software para o varejo, que deve crescer pelo menos 17% este ano, deverá ter um importante capítulo hoje em seu movimento de consolidação.


Na tarde desta terça-feira, acionistas da Linx, principal fornecedora de sistemas de gestão para o varejo, decidem se aceitam a proposta de aquisição da credenciadora de cartões Stone por R$ 6,4 bilhões. A decisão pode por fim a uma disputa iniciada em agosto, quando a empresa de sistemas de gestão Totvs, informou que já estava em tratativas com a Linx. Com a demanda aquecida, nem mesmo a Linx espera o desfecho da história para seguir em frente com fusões e aquisições - comprou mais uma empresa de software na semana passada. O varejo foi o que mais avançou em investimentos de software no Brasil em 2019, com alta de 17% sobre o ano anterior, informa a Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes), que prevê um avanço igual ou superior ao do ano passado para 2020. No ano passado, o investimento em sistemas para o varejo foi de US$ 1,2 bilhão, alcançando a quarta maior participação (10,8%) no total de investimentos em software do ano. Na primeira posição está o mercado financeiro, seguido do setor de serviços e telecomunicações, e da indústria. Na semana passada a Linx anunciou a compra da Mercadapp, startup especializada em digitalizar vendas de supermercados. A investida pode ser favorável tanto para a Stone como para a Totvs. “Nenhum deles tem oferta de e-commerce, então nosso ativo vai seguir relevante seja qual for a decisão”, diz Jean Klaumann, vice-presidente da Linx Digital. A Locaweb, um dos grandes atores do setor ao lado da Linx, segue em ritmo acelerado de aquisições. Entre setembro e outubro, a empresa anunciou três aquisições: a Social Miner, para dar suporte a campanhas de marketing digital, a Etus, para a gestão de e-commerce em redes sociais, e a Vindi, fintech especializada em sistemas de cobranças para vendas on-line. Segundo o CEO Fernando Cirne, a Locaweb analisa mais de 11 memorandos de intenções. Em abril, a VTEX, um dos mais recentes unicórnios brasileiros, que alcançou uma avaliação de US$ 1,7 bilhão no fim de setembro, aposta na expansão orgânica, mas não descarta aquisições. Em abril, formalizou a compra das startups dlieve, especializada no setor de logística e entrega, e Biggy, de pesquisa baseada em inteligência artificial. Rafael Forte, seu presidente, diz que o foco sempre foi desenvolver uma plataforma de comércio eletrônico unificada dentro de casa. Capitalizada após uma rodada de investimentos de US$ 225 milhões, a empresa abriu um escritório na Ásia, em Cingapura. Já tem presença na Europa, na América Latina e nos Estados Unidos. A busca de talentos com experiência em e-commerce não é só tarefa dos fornecedores. O Magazine Luiza, que desenvolve seus sistemas internamente desde 2011, também olha para aquisições de fábricas de software especializadas no varejo on-line. Com a aquisição da Stoq Tecnologia, em agosto, o Magalu absorve um sistema de integração de pontos de venda para varejistas de médio porte e um time de 20 especialistas. “Além de trazer talentos, buscamos trabalhar com empreendedores que estão pensando em como levar uma experiência mais simples aos parceiros”, conta André Fatala, diretor de tecnologia da empresa. Na visão do executivo, o movimento de consolidação dos fornecedores na busca de sistemas mais completos é justamente o que o varejista precisa. “O foco do vendedor é aumentar a venda. No final do dia é isso que ele quer”, conclui.


Publicado em: valor.globo.com

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