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Além da Americanas: como startup fraudou negócio e foi comprada por US$ 175 mi?


Semana passada serviu como uma lembrança amarga de que o mercado de capitais também comete erros. O fiasco de R$ 20 bi (ou R$ 40 bi, segundo novas estimativas) da Americanas deu a dimensão das manobras contábeis que algumas empresas (de capital aberto ou não) fazem para agradar (ou não espantar) seus investidores. Se isso ocorre em um mercado regulado, com empresas abertas tendo obrigação de divulgar informações e com o escrutínio de milhares de investidores, imagine o que pode ocorrer no mercado privado. Claro, os players que investem em startups costumam ter um longo processo de análise – inclusive contábil. A due diligence, como o processo é conhecido, pode levar meses, envolver dezenas de fornecedores e muito tempo dos colaboradores da gestora que fará o investimento. Espanta, portanto, que uma das maiores e mais antigas gestoras dos EUA tenha caído em um golpe tão grande – o JP Morgan existe desde 1678 e é a instituição líder mundial em serviços financeiros. O TROPEÇO DO JP MORGAN Há pouco mais de um ano, o JP Morgan decidiu pagar US$ 175 milhões pela Frank, que prometia ajudar estudantes a solicitar empréstimos estudantis. Tudo parecia fazer sentido: uma gestora com fortes raízes no mercado bancário adquirindo uma plataforma com sinergia com seu negócio principal. O problema? A gestora acabou pagando demais confiando na informação de que a startup possuía 4,5 milhões de clientes. Só que, desses, apenas 300 mil eram verdadeiros. A gestora descobriu a fraude de um jeito bem peculiar: ao tentar enviar um e-mail para a base de usuários da companhia adquirida, viu que 70% dos endereços de e-mail eram inválidos. Depois, descobriu que a fundadora da startup, Charlie Javice, e o chief growth officer, Olivier Amar, pediram a um desenvolvedor, funcionário da startup, que criasse uma lista falsa de e-mail, que recusou. Então, Charlie e Olivier ofereceram US$ 18 mil para que um professor de data science fizesse o trabalho. O professor aceitou, e no processo movido pelo banco há capturas de tela que mostram mensagens entre ele e a CEO discutindo como criar uma lista de e-mails com credibilidade. A corrida pelos dados dos falsos clientes começou durante o processo de aquisição da startup pela JP Morgan. Quando a gestora pediu os dados dos clientes durante o processo de due diligence, Charlie alegou que havia questões de privacidade envolvidas e não poderia fornecer os dados. Depois, forçada, entregou a lista falsa.


Publicado em: startse.com


Victor Marques, Head de Conteúdo na Captable


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