Unifique levanta R$ 818 milhões em IPO

A catarinense será o primeiro provedor regional de fibra óptica a estrear na B3.

A Unifique, segundo maior provedor regional de fibra óptica do Brasil, levantou R$ 818 milhões com sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) na B3, bolsa de valores oficial do Brasil.


De acordo como site Telesíntese, a operação é coordenada pelas instituições XP, BTG Pactual e Itaú BBA.


A companhia precificou suas ações em R$ 8,60, valor próximo ao piso da faixa indicativa, que ia de R$ 8,41 a R$ 10,49. Sua estreia na bolsa está prevista para esta terça-feira, 27, com o código FIQE3.


Do valor captado, 40% deve ser usado para suportar o crescimento orgânico, enquanto outros 40% vão para a realização de aquisições estratégicas de outros players na região Sul do Brasil.


Os 20% restantes serão investidos na expansão da equipe técnica, comercial e de pesquisa e desenvolvimento, além de outros investimentos.


Fundada há 24 anos por Fabiano Busnardo, um ex-faccionista da Hering, a Unifique começou vendendo “acesso discado” para alguns poucos clientes em Timbó, hoje uma cidade catarinense de 44 mil habitantes e terra natal do fundador.


Busnardo tem como sócio Clever Mannes, na época dono de uma das maiores lojas de computadores de Timbó, que aplicou R$ 80 mil e hoje é dono de 37% da empresa.

Em Santa Catarina, a Unifique já é o segundo maior player em números de conexões, atrás apenas da Claro/Net. Considerando apenas fibra óptica, é líder disparada com 24,5% de share.


Nos últimos dois anos, a empresa fez 16 aquisições, triplicando de tamanho. A última delas foi a da Naja Telecom, o maior player da Serra Gaúcha com 31 mil clientes em 16 cidades, marcando sua entrada no Rio Grande do Sul.


No total, a Unifique opera em 143 cidades e atende 350 mil clientes do Sul do país. Nos últimos três anos, o faturamento da empresa aumentou a uma taxa média de 65% ao ano, chegando a R$ 286 milhões em 2020 — alta de 75% em relação ao ano anterior.


Este é o primeiro IPO de um provedor regional na B3, mas outros estão por vir. A BrisaNet, maior do setor e focada no Nordeste, tem estreia na bolsa marcada para a próxima quinta-feira, 29.


Outra que deve seguir o mesmo caminho é a EB Fibra, um novo player com dinheiro de fundos que vem fazendo aquisições em série.


O Brasil tem mais de cinco mil provedores regionais, espalhados por partes do país que não são atendidas por grandes operadoras.


Mas o setor está mudando rápido. As grandes operadoras estão chegando cada vez mais com fibra óptica em cidades na faixa dos 100 mil habitantes, o tradicional campo de atuação dos provedores regionais.


A reação está sendo consolidação, visando criar players mais parrudos. A EB Capital, gestora de private equity de Eduardo Sirotsky Melzer, levantou no ano passado R$ 2 bilhões para a EB Fibra, seu projeto de banda larga.


Outra empresa que está investindo forte é a Vero, atualmente presente em 127 cidades, atendendo 400 mil clientes espalhadas por Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O plano de investimentos é de R$ 1 bilhão até 2023.


Quem está bancando as compras é o fundo Vinci Partners, que criou a empresa em 2019 e, desde então, já fez 15 aquisições de provedores regionais.


Publicado em: www.baguete.com.br

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