Tivit tenta mais uma vez vender operação para dar saída à Apax Partners



A Tivit está prospectando o mercado para mais uma vez tentar vender a sua operação e dar uma saída para o investimento da Apax Partners, fundo que controla a companhia de serviços de tecnologia desde 2010, quando pagou aproximadamente US$ 1 bilhão. Segundo duas fontes a par do assunto, a companhia está oferecendo o ativo no mercado, para sondar o apetite de potenciais compradores e saber qual valor poderia ser alcançado com o negócio. O Itaú BBA foi contratado para fazer a avaliação e buscar potenciais compradores. Procurada, a Tivit disse que “não comenta rumores de mercado” e que “segue forte na execução de sua estratégia, que tem levado ao crescimento e a resultados sólidos.” O Itaú BBA não quis fazer comentários para essa reportagem. O ativo já foi oferecido para várias empresas, em especial para fundos de private equity. As conversas estão em fase inicial, embora já tenha ocorrido propostas não vinculantes, diz uma fonte que foi sondada para saber se haveria interesse no ativo. Essa não é a primeira fez que a Tivit tenta vender sua operação. No ano passado, a companhia tentou se desfazer de sua unidade de data centers, mas não encontrou compradores, segundo uma das fontes. Além disso, a Tivit, que teve seu capital fechado depois que a Apax Partners comprou a empresa, em 2010, tentou por duas vezes voltar a ser uma companhia aberta: em 2017 e 2019. Nas duas ocasiões, o IPO não foi adiante. Em 2017, de acordo com informações da época, a meta da Tivit era captar R$ 1,4 bilhão. Mas a demanda bem abaixo do piso de R$ 43 fez a companhia desistir da oferta. Dois anos depois, a situação se repetiu, levando a companhia a não levar adiante o IPO, citando as condições adversas do mercado. “Toda vez que eles vão ao mercado e não conseguem vender, o valor da companhia se deprecia”, diz uma fonte. As duas tentativas de abertura de capital, bem como a venda por meio de um M&A, têm o objetivo de dar uma saída ao investimento da Apax Partners. “Não é segredo que eles querem sair do investimento”, afirma uma terceira fonte do setor de tecnologia. Dessa vez, a Tivit tenta encontrar um comprador para um negócio que fez um Ebitda ajustado de R$ 466 milhões em 2019. A dívida líquida era de R$ 663 milhões, o equivalente a 1,7 vez a sua geração de caixa não ajustada dos últimos 12 meses. O lucro, por sua vez, foi de R$ 125 milhões em 2019, um crescimento de 16%. A receita líquida consolidada chegou a R$ 1,638 bilhão, uma ligeira alta em relação ao ano anterior. A companhia, no entanto, tem alta concentração de sua receita em poucos clientes. Segundo documento enviado aos potenciais compradores, o maior cliente da empresa representa mais de 10% de seu faturamento. Os 10 maiores têm uma fatia superior a 40%. “Essa concentração é um problema para quem quer comprar”, diz uma fonte. Em junho deste ano, a Tivit perdeu um importante executivo. Carlos Gazaffi, que era presidente da Tivit desde 2018 e estava na empresa havia 19 anos, deixou a companhia para assumir a operação da Sem Parar B2C, empresa de pagamentos eletrônicos em pedágios e estacionamentos. Gazaffi tinha uma pequena participação na Tivit. A Apax Partners, de acordo com o último prospecto de abertura de capital, detinha 93,96% da companhia. O fundador Luiz Mattar contava com 4,88% e outras pessoas mantinham 1,16%. No ano passado, Mattar e a Sharpen Capital compraram a Neobpo, empresa de terceirização de processos de negócios que havia se separado da Tivit. O valor do negócio, na ocasião, não foi divulgado. A Tivit atua em serviços de tecnologia, em áreas como negócios digitais, computação em nuvem, pagamentos e plataformas tecnológicas. Atualmente, tem operações em 10 países da América Latina e seus principais concorrentes são empresas como IBM, Accenture e Stefanini.


Ralphe Manzoni Jr.

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