TIM e Vivo confirmam due diligence para avaliar compra da Oi Móvel



Embora ainda em etapas iniciais, a discussão da compra da Oi Móvel pela TIM e Vivo em parceria segue intensa. Segundo o CEO da TIM, Pietro Labriola, já foi possível iniciar o estágio de due diligence, uma investigação das oportunidades para avaliação de riscos, e algo mais concreto já deverá ser comunicado em junho. CEO da Vivo, Christian Gebara também confirmou que as conversas estão em andamento. "A boa notícia é que finalmente conseguimos acessar os dados e proceder com a due diligence. Antes, a intenção não estava se materializando, mas agora, graças à colaboração da Oi, está", declarou Labriola, em teleconferência dos resultados financeiros do primeiro trimestre da TIM. O executivo inclusive já vislumbra um avanço nesse processo. "No próximo mês, poderemos dar o próximo passo, se tudo ocorrer bem", declara. Por conta das negociações, entretanto, ele disse não ser possível dar maiores detalhes, mas confirmou que "as coisas estão indo bem". Também em teleconferência sobre os resultados do primeiro trimestre, Christian Gebara, da Vivo, comentou sobre as tratativas. "É algo que toma um tempo longo, por ser um processo de M&A e porque a companhia a ser vendida está em uma situação legal específica", afirmou. "Começamos a tomar as informações, e é importante para nós esse acesso do que está disponível. Se decidirmos, faremos uma oferta de compra. Como estamos no começo da tomada de informações, não posso dizer quanto tempo vai levar, mas está ocorrendo". Coronavírus Pietro Labriola ainda explicou que não houve impacto da pandemia do coronavírus nas negociações com a Oi, uma vez que a ideia é criar valor para acionistas em médio e longo prazo. "Não esperamos que a covid-19 dure para sempre. É apenas uma janela, que é extraordinária, mas que vai acabar", diz. "A fusão vai ser boa para o mercado e para o País; ter três players fortes permite que o Brasil seja mais digital", avalia. O CFO da TIM, Adrian Calaza, explicou que a etapa atual é significativa e representa um passo importante na aquisição da Oi Móvel. "A situação atual [da pandemia] não está criando nenhum problema para a due diligence, estamos conduzindo as coisas bem. Vamos ver o timing [da oficialização da proposta] nos próximos meses", contextualiza. Mercado Os rumores no mercado são de que o momento atual é de avaliação de potenciais riscos, eventuais obrigações impostas pelos reguladores (Anatel e Cade) e mesmo a consideração de quais ativos da Oi Móvel iriam para cada operadora. Atualmente, as fatias seriam de 70% para a TIM e 30% para a Vivo, embora não esteja claro ainda o quanto dessa partilha considera ativos como espectro, operação e base de usuários. Estas estimativas batem com as projeções feitas por TELETIME logo que TIM e Vivo anunciaram a intenção de fazer um oferta pela Oi Móvel. São estimativas que ponderam a necessidade de reequilíbrio de espectro. Conforme informou TELETIME na ocasião, a Oi tem, na média de cidades brasileiras em que opera, cerca de 92 MHz de espectro no total, contra 117 MHz da própria TIM e 155 MHz da Vivo.


Já a Claro, consolidada com a Nextel, tem em média 177 MHz de espectro. Isso significa que o partilhamento do espectro da Oi entre as duas empresas colocaria o mercado em um situação muito próxima de um equilíbrio em termos de frequências, sendo que a TIM teria que ficar com cerca de 60 MHz do total de espectros da Oi, e a Vivo cerca de 28 MHz para se equipararem à Claro, sempre considerando a média nacional (os números podem variar de região para região). Com base nesses números, é possível especular que a TIM teria que arcar com cerca de 68% do custo de aquisição da Oi Móvel e a Vivo, 32%, tendo-se como premissa que a operação buscaria um equilíbrio de todas as operadoras em relação à Claro. A Oi ainda deverá levar o assunto da venda da operação móvel a uma nova assembleia de credores. Ainda sem data definida (mas com prazo para realização até 6 de novembro), a reunião deverá negociar o aditamento ao plano da recuperação judicial para adequar a esse desinvestimento.

Por Bruno do Amaral - teletime.com.br (Colaborou Henrique Julião)

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