Sinqia cria nova vertical com aquisições de R$ 100 mi


A Sinqia acaba de anunciar duas aquisições que aumentam em 15% sua receita e criam uma nova vertical de negócios dentro da empresa, cujo core business são softwares para o setor financeiro. A Sinqia está pagando R$ 56 milhões pela Simply — que automatiza o processo de onboarding de novos clientes em bancos digitais — e R$ 38 milhões por 60% da FEPWeb, um software que permite assinar contratos de forma digital. Os fundadores da Simply, Roberto Rigotto e Gustavo Valadares, continuarão como executivos à frente da nova vertical, chamada de Sinqia Digital, e o preço final poderá chegar a R$ 68 milhões com o ‘earnout.’ Parte da compra (R$ 22 mi) foi paga em ações da Sinqia. O valuation implica um múltiplo EV/EBITDA de 9,3x, em linha com as aquisições anteriores da Sinqia, que sempre ficaram abaixo de 10x, o CFO Thiago Rocha disse ao Brazil Journal. O múltiplo de receita foi de 3,3x — comparado a uma faixa de 1x a 2x em transações anteriores. Fundada em 2006 em Belo Horizonte, a Simply atende mais de 50 clientes, majoritariamente fintechs e bancos digitais. A empresa desenvolveu um software que automatiza o processo de abertura de contas: quando o cliente envia seus documentos, preenche o formulário no site ou manda uma selfie, é a Simply que verifica se essas informações são válidas e autoriza (ou não) a abertura da conta. A empresa opera como um software as a service (SaaS), cobrando um fee mínimo mensal que pode aumentar dependendo do volume de validações.


A solução da FEPWeb é complementar à da Simply, e as duas aquisições vão permitir à Sinqia entrar em toda a jornada do cliente: do onboarding à contratação de serviços. Na prática, a FEPWeb viabiliza a assinatura digital de contratos entre clientes e bancos, facilitando o processo de contratação de um financiamento ou de adesão a um fundo, por exemplo. Na aquisição, a Sinqia pagou um múltiplo de 8x o EBITDA e de 5,3x a receita. A FEPWeb faturou R$ 12 milhões ano passado, com margem EBITDA de 66%. O plano da Sinqia é levar as duas soluções para toda a sua base de clientes, que já conta com cerca de 400 instituições financeiras em cinco verticais: softwares para fundos, bancos, previdência e consórcios, e serviços de outsourcing. As duas aquisições vem um ano e meio depois da Sinqia fazer um follow-on de R$ 382 milhões e sete meses depois de sua última aquisição: a compra da Itaú Soluções Previdenciárias. A Sinqia já consumiu 65% dos recursos da oferta e ainda deve anunciar novas aquisições este ano — uma delas já está em fase avançada de negociação. Thiago diz que a Sinqia provavelmente terá que fazer uma emissão de dívida no futuro para financiar seus planos de crescimento inorgânico. Hoje, a empresa não tem alavancagem e está com uma posição de caixa líquido de cerca de R$ 137 milhões após as aquisições de hoje. “Quando o caixa disponível não for mais suficiente para os nossos planos, uma das opções é fazer uma captação de dívida e alavancar a empresa até no máximo 3x o EBITDA,” diz o CFO. A Sinqia vale R$ 1,5 bi na Bolsa. Nos últimos dois anos, a ação praticamente triplicou de valor; desde o IPO, em 2013, subiu mais de 10x.


Publicado em: braziljournal.com

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