Primeira desistência de 2022, Vero desiste de IPO



Cinco meses depois de anunciar a intenção de abrir capital na bolsa de valores, a provedora de internet Vero deu para trás e decidiu cancelar o IPO, por meio do qual pretendia levantar mais de R$ 1 bilhão. A desistência da Vero, controlada pela gestora de private equity Vinci Partners, foi a primeira de 2022, depois de 75 empresas cancelarem planos de IPO ao longo de 2021 devido às condições de mercado. Segundo a própria empresa, em fato relevante publicado na noite desta sexta-feira, dia 7, a desistência ocorreu “tendo em vista as alterações das condições atuais dos mercados de capitais brasileiro e internacional”. De fato, o clima de aversão ao risco do mercado fez com que as empresas do mesmo setor que estrearam na bolsa no ano passado tivessem grandes desvalorizações. Brisanet (BRIT3) caiu 70,19% desde o IPO, seguida de Desktop (DESK3), com recuo de 39,06%, e Unifique (FIQE3), com 33,49% de desvalorização. Os desafios para as estreantes de 2021 foram tremendos. Apesar do alto número de ofertas e do grande volume captado, as mudanças no cenário macroeconômico começaram a azedar o clima para IPOs no segundo semestre. “Esse retorno da política do Banco Central, que ficou mais restrita antes do esperado e com um aumento de juros maior do que o previsto, fez com que o preço das ações caísse muito, e os IPOs também fizeram parte dessa queda”, disse Phil Soares, analista da Órama Investimentos, em entrevista à Agência TradeMap. A maioria das ações que entrou na bolsa no ano passado registrou perdas desde o IPO. Das 45 empresas que abriram capital em 2021, apenas 11 fecharam o ano no positivo – ou cerca de 24,5%. E 2022 não deve ser muito melhor. O ano será marcado por eleições presidências polarizadas, que geram mais incertezas e volatilidade para o mercado. “Acho que não vai ser um bom ano para IPOs e poderemos ter algumas empresas fechando capital”, ressalta Soares. Para Danielle Lopes, analista da Nord Research, o mercado pode começar a melhorar quando – e se – houver mais visibilidade em relação às eleições. Como seria o IPO Quando anunciou a abertura de capital em agosto, a Vero informou que pretendia levantar mais de R$ 1 bilhão com a operação. A oferta de ações seria do tipo primária e secundária, isto é, os recursos captados iriam tanto para o caixa da empresa quanto para os acionistas que se desfariam dos papéis. Os recursos, segundo a Vinci, seriam usados para sustentar o crescimento da Vero, por meio de expansão orgânica ou da aquisição de concorrentes.


Publicado em: trademap.com.br



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