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O spin-off da EY está gerando revolta dos sócios aposentados. São US$ 7,5 bilhões de motivos



Mais de 150 sócios aposentados da EY escreveram para o comando da empresa de auditoria manifestando oposição ao plano radical de desmembrar suas divisões de consultoria e auditoria. Em memorando de três páginas ao qual o “Financial Times” teve acesso, esse grupo diz que o plano, tal como formulado, ameaça enfraquecer as duas metades da empresa. Perguntam também se o CEO global da EY, Carmine Di Sibio, está protegendo corretamente os interesses da divisão de auditoria. A liderança global da EY decidiu em setembro que desmembrar a empresa de consultoria como unidade independente permitiria que cada uma das duas metades da empresa crescesse mais rapidamente, livre de regulamentações referentes a conflitos de interesse que impedem consultores de prestar serviços a clientes de auditoria. A cisão tem de ser aprovada pelos 13 mil sócios atuais da EY, em votações país por país realizadas em cada uma das empresas-membros, mas essas votações não podem avançar enquanto não forem aprovados mais detalhes. A esperança de realizar as primeiras votações em territórios grandes, como os EUA e o Reino Unido, antes do fim do ano, arrefeceu. Os sócios aposentados não podem votar no processo, mas têm interesses significativos em jogo. A EY tem cerca de US$ 7,5 bilhões de obrigações com aposentadoria nos Estados Unidos que a empresa tem de ratear entre as duas divisões, o grosso dos quais permanecerá na divisão de auditoria. Prevê-se que o braço de consultoria capte cerca de US$ 30 bilhões no mercado de dívida e equity, e que transfira parte disso para a divisão de auditoria para cobrir uma parcela significativa das obrigações com aposentadorias, bem como para financiar grandes pagamentos em dinheiro aos atuais sócios da auditoria. Após o desmembramento, a empresa de auditoria “terá um nível significativamente inferior de lucros”, escreveram os sócios aposentados, e a obrigação de pagar suas aposentadorias“ poderá “sobrecarregar potencialmente” a empresa. “Não vemos qualquer motivo para que a obrigação com aposentadorias não seja bancada em 100%”, escreveram os sócios aposentados. O memorando foi redigido após a transmissão de um webcast dirigido aos 3 mil sócios aposentados americanos da EY no mês passado, que, segundo disseram seus redatores, “levantou mais perguntas do que respondeu”. Ele foi enviado aos dirigentes da sociedade nos EUA sob a forma de um e-mail com mais de 150 signatários, grupo que ainda pode aumentar. Bitcoin e cerveja: a Play Studio montou uma carteira trocando consultoria por equity O memorando distribuiu as preocupações em quatro tópicos distintos. Além dos temores com relação às aposentadorias, o e-mail questionou o processo pelo qual estão sendo tomadas as decisões sobre o desmembramento e o motivo pelo qual a liderança das pretendidas duas empresas ainda não foi anunciada. Embora preveja-se que Di Sibio comandará o braço de consultoria, ninguém foi escolhido para encabeçar a empresa de auditoria. A empresa de auditoria chama-se AssureCo nos documentos de planejamento, embora já tenha sido definido que manterá marca EY. Os sócios aposentados disseram estar “apreensivos acerca de quem está protegendo os interesses dos sócios e dos funcionários que continuarão na AssureCo. Atualmente, ao que parece, Di Sibio comanda as decisões referentes a ambas as entidades. Isso não faz sentido”. Outra área significativa de preocupação é a maneira pela qual a EY dividirá seu departamento fiscal, a maior parte do qual ficará com a empresa de consultoria, enquanto os sócios de conformidade fiscal permanecerão com o braço de auditoria. “A bifurcação poderá resultar em que nenhum dos dois departamentos tenha a magnitude, a escala e a competência para ser verdadeiramente viável no mercado”, segundo o memorando. “Apesar de entendermos que as reações iniciais à transação da parte dos reguladores da empresa do mundo inteiro tenham sido favoráveis, duvidamos que essa disposição se mantenha caso surjam questões referentes ao nível adequado de recursos e de excelência remanescentes na AssureCo”, acrescentaram. “No mesmo sentido, prevemos que os clientes da empresa ficarão altamente decepcionados ao saber que a adequação de recursos da AssureCo pode ser um problema e entendemos que as concorrentes da empresa já estão levantando essa questão junto a empresas auditadas pela EY.” A EY disse: “Apreciamos o retorno enviado pelos nossos sócios aposentados. Estamos dando esse passo arrojado por acreditarmos que ele oferecerá as melhores oportunidades de crescimento e sucesso e atenderá melhor ao pessoal, aos clientes e às partes interessadas mais amplas da EY, entre as quais os sócios aposentados”. Os sócios aposentados que endossaram o memorando são, em grande medida, provenientes dos EUA, mas disseram à liderança da EY que os problemas levantados existem em toda a rede global, e acrescentaram: “Todos conversamos com os sócios da empresa atual de auditoria, fiscal e de consultoria, e muitos deles manifestaram as mesmas preocupações”. O memorando conclui pedindo à liderança para estudar a possibilidade de adiar a implementação da cisão e a considerar suas críticas “de maneira construtiva”. “Não apenas somos alguns dos maiores credores da empresa”, escrevem, “como também somos muitos dos maiores apoiadores da empresa”.



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