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O massacre dos valuations de empresas de Saas



O fundo Bessemer Venture Partners (BVP), um dos maiores investidores em SaaS da atualidade, foi responsável por um dos conteúdos mais esperados do SaaStr 2023: a apresentação do "State of the Cloud", estudo que traz as principais perspectivas e tendências para negócios cloud ao redor do globo. Neste ano, foram duas mensagens centrais:

(1) há uma perspectiva positiva de retomada de negócios SaaS, cloud based; e

(2) já assistimos a uma dinâmica que prioriza maior eficiência por parte dos players públicos e privados. Entre os anos de 2021 e 2022, com a escalada das taxas de juros no mercado americano, fruto de um momento de fortes incertezas no âmbito macroeconômico, os múltiplos de empresas SaaS tiveram uma forte compressão, baixando de um topo de 25 vezes (X) em 2021 para 5-6X no fim de 2022. O BVP chama esse evento de “SaaSacre”, em referência à combinação dos termos SaaS e massacre, refletindo um fenômeno que impactou fortemente o valuation de empresas do segmento, públicas e privadas. Para se ter uma noção mais clara, o valor agregado de IPOs nos EUA em 2021 foi de US$ 28 bilhões para zero em 2022. O mercado privado também foi impactado: viu cair pela metade o volume de M&As de softwares na região, no mesmo período. O cenário em 2023, porém, é diferente. Os analistas do BVP apontam para um contexto de trégua e gradual retomada. A luz no final do túnel veio com os sinais de estabilização da macroeconomia desde o início de 2023, o que, por sua vez, já refletiu na consolidação dos múltiplos de software. O recente pedido de listagem da Klaviyo, somado a uma lista extensa de empresas privadas que ultrapassaram a marca de US$ 200 milhões em ARR (Annual Recurring Revenue, ou receita recorrente anual, em português), criou uma conjuntura para, enfim, uma retomada dos IPOs no mercado americano ao longo de 2024. Mas aqui, fica um questionamento, o que de fato as empresas SaaS estão fazendo para viabilizar essa retomada? Crescimento deve priorizar a saúde financeira Entendendo que o crescimento sem unidades econômicas saudáveis estava sendo um tiro no pé, empresas públicas e privadas mudaram seu foco de forma radical, passando a priorizar lucratividade ao invés de crescimento. Segundo o BVP, no primeiro semestre de 2022, uma pesquisa realizada com os principais CEOs de empresas SaaS listadas apontou para um favorecimento de crescimento versus eficiência, em uma relação de 6:1. Após início de 2023, essa métrica mudou de forma substancial, passando para uma priorização de crescimento versus eficiência da ordem de 2:1. A mensagem foi clara: o mercado público não está mais tolerante à dinâmica de crescimento sem saúde financeira.


Fonte: Bessemer Venture Partners

E, vale dizer, a mudança de foco de crescimento para eficiência não se limitou ao mercado público apenas, mas cascateou rapidamente para o mercado privado. A famosa lista Cloud 100, que elenca as 100 melhores empresas cloud privadas de acordo com o BVP e a Salesforce, também refletiu uma mudança de postura imediata, seguindo as companhias de capital aberto. Dessas, apenas 23% são lucrativas, porém, de acordo com uma recente pesquisa, cerca de 64% delas pretendem atingir o breakeven até o fim de 2024. Para trilhar esse caminho, no entanto, o burn rate e as taxas de crescimento serão impactados, o que se traduz num crescimento menor, mas de melhor qualidade. Vale ressaltar que, para tornar possível esse drive de eficiência, as empresas devem repensar todas as alavancas de negócios, desde margem bruta, até vendas, marketing, R&D, pricing e pessoas. Todas essas áreas, felizmente, tiveram um boost de produtividade recentemente, muito graças à intensa adoção de IA para alavancar seus produtos. Isso, sem dúvida, pode tornar essas jornadas um pouco mais curtas e menos custosas.

Geraldo Melzer

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