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Mercado de TICs no Brasil terá crescimento de 5% em 2023, diz IDC


O mercado brasileiro de tecnologias da informação e comunicação (TIC) crescerá 5% em 2023. O dado é do estudo IDC Predictions Brazil 2023, divulgado pela consultoria nesta quinta-feira (02), que anualmente antecipa as tendências e movimentos desses segmentos de TI e telecomunicações. A expectativa é que, juntos, os mercados aproximem-se de um total de US$ 80 bilhões. Em recortes separados, a IDC Brasil projeta um avanço de 3% em Telecom e de 6,2% em TI. Este último impulsionado pelo consumo de tecnologia pelas empresas (TI B2B), que deve crescer 8,7% puxado pelo investimento em Software e Cloud. “Fica clara a necessidade de as empresas voltarem a ter crescimento”, disse Luciano Ramos, country manager do IDC Brasil . “Temas principais que devem alavancar esses investimentos em tecnologia: a gente está falando em produtividade; introdução de novos produtos e serviços suportado pelo digital; tirar proveito de dados; e atração e retenção de clientes”, explicou. Segundo Ramos, o número exato dos investimentos em TICs no Brasil em 2022 ainda não foi fechado, mas deve ficar próximo dos US$ 75 bilhões. O resultado coloca o país na posição de décimo primeiro principal mercado do mundo em investimentos nesse segmento. Sozinho, o Brasil representa um terço do total de investimentos em TICs da América Latina e, olhando apenas TI, o país responde por 38% dos investimentos da região. “A grande mensagem é a importância do Brasil nesse contexto global. Nós estamos entre as principais geografias do mundo em consumo de TICs. A gente tem trilhado uma jornada de amadurecimento, a exemplo do que a gente viu no mercado americano e europeu”, completou. Além da expectativa de crescimento, a IDC também lançou previsões das 10 tendências que devem marcar o mercado brasileiro de TI e telecomunicações em 2023. Veja abaixo: 1. Maior controle sobre uso e gastos da nuvem Para 93% das companhias consultadas pela IDC, a otimização e redução dos custos de nuvem por meio de automação e pelo avanço do FinOps devem estimular os investimentos em provedores de serviços gerenciados. Nesse contexto, somente no Brasil, os gastos com IaaS (Infrastructure as a Service) e PaaS (Platform as a Service) somados passarão da marca de US$ 4,5 bilhões, um aumento de 41% em relação a 2022. “A TI terá que olhar mais fortemente para estratégias que simplifiquem a gestão e a conectividade de diferentes ambientes, tornando os ambientes híbridos e Multicloud mais eficientes pelo prisma de custos”, destacou Ramos. Outro ponto de atenção no mercado de Cloud é que as pautas relacionadas a ESG (Environmental, Social and Governance) ganham cada vez mais espaço, com as empresas passando a demandar mais informações dos provedores sobre o impacto da nuvem sobre suas emissões de carbono, sejam diretas, ou indiretas (clientes). “Os fornecedores precisarão estar preparados Atualmente, 79% das empresas de grande porte no Brasil já avaliam se o uso de uma determinada tecnologia vai demandar mais ou menos recursos naturais. Há uma grande preocupação das áreas de negócio sobre como Cloud pode contribuir para imagem e resultados da empresa relacionados a ESG”, finalizou o executivo. 2. Avanço na virtualização do core das redes de telecomunicações A necessidade de habilitar novas funções de TI – como BSS (Business Support Systems) e OSS (Operations Support System), digitalização de atendimento, aspectos data-driven, implementação de redes 5G, e elevação da conectividade nas empresas – provocarão uma grande alteração na arquitetura das redes de telecomunicações e mudarão o relacionamento entre companhias do setor (Telcos) e provedores de Cloud. “A IDC espera que, em 2023, haja mais acordos relacionados a funções do core das redes e virtualização”, avalia Luciano Saboia, diretor de Pesquisa e Consultoria de Telecomunicações da IDC Latin America. “Com o fortalecimento dos laços entre provedores de nuvem e Telcos, esperamos um aprimoramento da transformação digital dessas empresas, que devem assumir algumas das tarefas necessárias nesse novo momento. Nos próximos 5 anos, o consumo de nuvem pelo segmento de Telecom crescerá, em média, 35,2% em IaaS e 42,2% em PaaS anualmente”. 3. Wireless first impulsionando a resiliência de missão crítica e continuidade de negócios “O conceito de priorização da nuvem como ambiente de hospedagem de aplicações de uma empresa (Cloud first) já é algo incorporado ao planejamento de TI, mas em 2023, teremos também o movimento do Wireless first, que dá protagonismo às redes sem fio. Essa tendência será puxada pela implementação do Wi-Fi 6 e da conectividade 5G”, conta Saboia. A adoção de práticas Wireless first impulsionará o uso de serviços gerenciados, reduzindo a pressão nos times internos e habilitando uma rápida adoção de tecnologias e boas práticas. A IDC espera que, já em 2023, o mercado de Wi-Fi 6 tenha um crescimento de 17% em decorrência da implantação de tecnologias emergentes, como IoT e AI. Para 2026, o Wi-Fi 6 deverá representar 65% do mercado de W-Lan brasileiro. 4. Aplicações aprimoradas de IoT, IA e ML no Brasil Com a chegada do 5G, empresas de diversas verticais passarão a investir mais em redes privativas móveis a fim de atender necessidades específicas de suas operações e resolver desafios de conectividade. “Nunca antes uma nova geração de conectividade trouxe tanta expectativa de transformação para os negócios. Esperamos que todo o ecossistema de tecnologia seja impactado, incluindo operadoras de telecomunicações, OEMs (Original Equipment Manufacturer) de dispositivos, provedores de nuvem e de equipamentos de rede, desenvolvedores de softwares e aplicativos, até integradores”, analisa Saboia. As novas possibilidades de receitas no setor geradas a partir das redes privativas móveis devem impactar verticais como Cloud, segurança, armazenamento, gerenciamento e análise de dados, assim como outros serviços gerenciados necessários para aplicações mais complexas, como IoT, AI e ML. Sendo assim, e impactados pelos crescentes investimentos em TI no Brasil, o mercado de redes móveis privativas deve crescer acima de 35% ao ano até 2026. 5. Avanço do SaaS As aplicações de negócios ofertadas no modelo SaaS (Software as a Service) estão avançando rapidamente, e, já em 2023, cerca de 29% das empresas farão investimentos estratégicos relacionados a SaaS. “O grande desafio será evitar que diferentes soluções consumidas a partir da nuvem se transformem em silos com potencial para dificultar o compartilhamento e integração de dados e aumentar os custos com conectividade”, avalia Ramos. “Os provedores de serviços gerenciados serão extremamente importantes nesse cenário, pois cuidarão da integração dessas soluções e da modernização de aplicações para habilitá-las na nuvem de forma adequada e funcional”. Segundo o estudo da IDC, o mercado de software deve crescer 15,1% em 2023, puxado por soluções de segurança, gestão de dados, AI e CX (Costumer Experience). Já em 2023, metade do que é gasto com software no Brasil será investido no modelo SaaS, com crescimento de 27,6%. 6. Fusão de inteligência e automação O estudo da IDC mostra que 20,5% das empresas brasileiras de grande porte entrevistadas afirmam que os processos de automação e RPA (Robotic Process Automation) serão estratégicos para as iniciativas que envolvem TI em 2023 e que AI vai ganhar mais espaço nos seus orçamentos, sendo o terceiro maior potencial, atrás apenas de Cloud e segurança. “Ainda há um desafio de confiança para delegar a tomada de decisão para capacidades autônomas de AI, que não se resolverão no curto prazo. Por isso, a IDC acredita que em 2026 ainda teremos metade das empresas enfrentando esse impasse”, prevê Ramos. Com o amadurecimento da AI, a expectativa da IDC é que o Brasil ultrapasse US$ 1 bilhão de gastos em 2023 com essa tecnologia, um aumento de 33% comparado a 2022. Já os gastos com soluções de automação inteligente devem superar US$ 214 milhões, crescimento de 17% frente ao ano passado. 7. Segurança de TI e dados continuará sendo prioridade Desde o primeiro pico de incidentes de Ransomware em 2017/18 (WannaCry), segurança é vista como prioridade número um da maioria dos executivos de TI no Brasil (53,6% em 2022) e na América Latina (50,6%). Em 2023 não será diferente. “A segurança de TI e dados continuará no topo das preocupações das empresas brasileiras. Antes, para falar com um colega de trabalho e passar alguma informação ou dado, bastava olhar para o lado, e as informações sigilosas ficavam centralizadas dentro da empresa. Agora, seja via chat, WhatsApp, e-mail ou outra ferramenta, a informação vai trafegar vários quilômetros, e o dado sensível e confidencial estará espalhado em muitas nuvens. Por isso, a forte preocupação com a segurança das informações não vai diminuir”, explica Pietro Delai, diretor de Pesquisa e Consultoria de Enterprise da IDC Latin America. No Brasil, os gastos com soluções de segurança devem atingir US$ 1,3 bilhão em 2023, um crescimento de 13% em relação ao ano anterior. 8. O mercado de devices representará 43,7% de todas as receitas de TI no país “Desktops, notebooks, tablets, feature phones, smartphones, impressoras, multifuncionais, monitores e wearables, enfrentaram diversos momentos críticos em 2022 e esse mercado de Devices seguirá com uma dinâmica desafiadora em 2023. As fabricantes entrevistadas pela IDC Brasil indicam um sentimento misto, mas, no geral, esperam um primeiro semestre de adaptações ao novo governo e um segundo de certa recuperação e relativo crescimento no consumo das famílias”, esclarece Reinaldo Sakis, diretor de Pesquisa e Consultoria de Consumer Devices da IDC Latin America. A IDC estima que o mercado brasileiro de Devices gere uma considerável soma de US$ 21,5 bilhões em 2023, ou seja, 1,1% acima de 2022. Isso faz com que sua participação no total de gastos de TI no Brasil seja de 43,7% em 2023, pouco abaixo do patamar de 2022. Mesmo com o modesto crescimento das receitas, a importância dos Devices para o segmento total de TI ainda será muito grande, com smartphones somando US$ 13 bilhões, computadores US$ 5,8 bilhões, Wearables US$ 882 milhões, impressoras US$ 542 milhões e Tablets US$ 464 milhões. 9. Distribuição das vendas de devices sofrerá mudanças em 2023 Algumas mudanças que tiveram início ano passado seguirão acentuadas agora em 2023. O varejo online, por exemplo, perdeu participação no ano passado e sofrerá mais um pouco em 2023. Já o varejo físico retomou espaços perdidos para o online e seguirá a mesma trajetória em 2023. “Apesar do grande portifólio e dos benefícios oferecidos aos usuários, o varejo online deve perder ainda mais algum espaço para as lojas físicas em 2023, ainda que continue tendo grande potencial de crescimento a curto prazo. O principal motivo é que as lojas físicas voltam a ganhar mais espaço por conta da maior flexibilidade de negociação no momento da venda associado a um volume de brasileiros que voltaram às compras presenciais após o auge da pandemia”, esclarece Sakis. A IDC estima que os varejos físicos e online gerem US$ 10 bilhões e US$ 5 bilhões, respectivamente, em 2023. 10. Compradoras de devices também podem colher os benefícios de ESG O mercado brasileiro de Devices terá vários desafios no ano de 2023 e a IDC prevê que os fabricantes e canais de distribuição que oferecem produtos ou serviços alinhados com ESG terão mais chances de sucesso. “As empresas nacionais e multinacionais já começam a olhar para os Devices como ponto de partida para demonstrar resultados e métricas alinhadas ao ESG. Por isso, os fabricantes ou canais que oferecerem práticas que demonstram preocupação com padrões e boas práticas sociais, sustentáveis e de gerenciamento, – como créditos de carbono, uso responsável dos recursos, Device as a Service alinhado ao ESG, logística reversa e economia circular –, devem sair na frente de seus concorrentes. Hoje, esses tipos de iniciativas são considerados diferenciais competitivos”, conclui Sakis. A IDC estima que 5% das vendas de Devices para empresas B2B serão concluídas em 2023 por terem certo alinhamento com conceitos ESG, o que significa algo em torno de US$ 250 milhões.


Publicado em: itforum.com.br




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