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IDC: mercado brasileiro de TICs crescerá descolado do PIB em 2022


Muito embora a previsão de crescimento do PIB dos países da América Latina não seja das melhores para 2022 (3% na média para a região) – com o Brasil inclusive puxando o possível resultado para baixo e não ultrapassando 1,5% –, os investimentos em tecnologia da informação e telecomunicações (TICs) seguem “descolados” da curva e seguirão aumentando. A demanda elevada por soluções e requisitos de negócios cada vez mais digitais puxarão o crescimento no Brasil, que deve superar o crescimento obtido em 2021, chegando a 8,2%. Essas são as expectativas gerais do IDC, que reuniu a imprensa nessa terça-feira (8) para apresentar suas 10 principais previsões para o ano de 2022, no que diz respeito ao mercado de TICs. Por segmento, TI deve crescer 10,6%, enquanto telecomunicações subirá 4%. Já o mercado de TI corporativa (ou enterprise), composto exclusivamente por empresas, deve crescer 8,9%. O country manager da consultoria no Brasil, Denis Arcieri, diz que não por acaso a maioria absoluta dos CIOs das empresas brasileiras (ou cerca de 95%) dizem quem pretendem ampliar ou manter orçamentos de TI para os próximos 12 meses. “E menos de 5% das empresas disseram que o orçamento vai reduzir”, salientou o executivo, dizendo tratar-se do menor índice já registrado em estudos da consultoria. “Historicamente o índice chegava a 15%.” É um índice bastante próximo do obtido pela IT Mídia em um estudo recente, e que mostrou expectativa de manutenção ou aumento dos orçamentos de TI por parte de 96% dos CIOs e gestores de tecnologia. Claro que esse resultado não vem sem desafios. Por exemplo, dificuldades no abastecimento de produtos no mercado nacional, causado em parte pela persistente crise de componentes que ainda afeta o mercado global. Apesar de, conforme declara o IDC, ter havido melhora na disponibilidade em 2022 graças aos investimentos feitos por grandes fabricantes, principalmente em chips de 10nm ou menos, ou seja, os mais avançados. De todo modo é um elemento que, segundo Reinaldo Sakis, gerente de consumer do IDC Brasil, pode “fazer com que os fabricantes sintam impactos”. Outro dificultador da jornada digital e, por consequência, dos investimentos em tecnologia, é a cibersegurança – que também aparece no topo das prioridades dos CIOs. Não pelos melhores motivos, já que globalmente 38% das empresas admitem ter sofrido ataques de ransomware, com diferentes níveis de impacto. Confira a seguir as 10 previsões do IDC para o mercado de TIC em 2022.

1. Demanda de componentes no Brasil maior que a oferta Mercado brasileiro pode sentir atraso ou restrição em produtos que utilizam chips de gerações anteriores e que não receberam aportes. Cenário pode causar incremento de preços em produtos de TI e pedidos envolvendo grandes volumes com entregas parciais ou atrasadas. Mercado de dispositivos (desktops, notebooks, tablets e smartphones) deve crescer 1,9% em unidades e 12,6% em valor, gerando US$ 22,9 bilhões. Mercado de servidores x86, apesar da escassez de componentes, deve crescer 5,5% (alcançando US$ 481 milhões). 2. Mais de 70% das empresas de médio e grande porte terão ambientes de TI híbridos

Cerca de 97% das empresas que já usam computação em nuvem pretende manter ou aumentar volume de workloads nesses ambientes em 2022. No entanto o data center tradicional não perde relevância: 87% afirmam que contarão com infraestrutura própria ou terceirizada. Gastos com infraestrutura como serviço (IaaS) na nuvem pública alcançarão US$ 1,9 bilhão em 2022, crescimento de 36%. A nuvem privada terá crescimento mais discreto, avançando 7,9% em relação a 2021 e atingindo US$ 540 milhões no Brasil. 3. Falta de talentos em cibersegurança fará crescer busca por serviços especializados Com o número de ciberataques em 2022 não dando sinal de redução, quase 57% das empresas brasileiras dizem que devem procurar ajuda externa para gerenciar e operar ambientes com soluções de segurança de próxima geração. 40% das empresas consultadas pela IDC no Brasil dizem que faltam especialistas nas equipes internas. Por isso os serviços de segurança – incluindo serviços profissionais e gerenciados – totalizarão quase US$ 1 bilhão no Brasil em 2022, crescimento médio de quase 10% anualmente desde o início da pandemia em 2020. O mercado de soluções de segurança (hardware e software) superarão US$ 860 milhões em 2022. 4. 5G, edge computing e dados colocarão Analytics, IA e Data Management na pauta É o que dizem 47% das empresas consultadas pelo IDC. Elas parecem ter evoluído o entendimento sobre a necessidade de ter insights sobre os dados que detém, principalmente com o crescimento dos canais digitais. Globalmente, a IDC estima que serão gerados 97,8 ZB (zettabytes) de informação em 2022. Em 2022, o IDC projeta um mercado de US$ 2,9 bilhões para soluções e serviços relacionados a big data e analytics, crescimento de 10,8% sobre o ano anterior. Em IA e Machine Learning, o crescimento é de 28%, ou US$ 504 milhões no total. 5. Avanço do 5G “puro” impulsionando ofertas e serviços corporativos Com os leilões de frequência finalmente concluídos no Brasil, a implantação das redes 5G puras (ou stand alone) no país permitirá que provedores moldem ofertas e removam barreiras de conectividade, diz o IDC Brasil. Isso permitirá o desenvolvimento de casos de uso e estimulará parcerias entre players do ecossistema de tecnologia, incluindo fabricantes de dispositivos, sensores, operadoras, criadores de softwares e outros. A IDC estima que o 5G movimentará no Brasil cerca de US$ 25,5 bilhões até 2025, impulsionando outras tecnologias como IA, big data, cloud computing, realidade aumentada e virtual, robótica e IoT, entre outros. 6. Infraestrutura de rede como serviço vira opção viável O consumo flexível de infraestrutura de rede como serviço – incluindo hardware, software e ferramentas de gerenciamento, entre outros itens – serão mais comuns em 2022, diz o IDC. Tecnologias como WLAN, Switch Ethernet, SD-WAN, SASE e LTE/5G privado podem ser implantadas nesse formato. Segundo a consultoria, a capacidade de personalizar soluções, gerenciar aplicações que consomem a rede e prestar atendimento proativo para falhas serão os principais drivers para mais de 90% das empresas investir em serviços gerenciados durante esse ano. 7. Dispositivos como serviço (DaaS) ganham maturidade O bom e velho outsourcing de dispositivos também deve se firmar no Brasil durante 2022, diz o IDC. Impressoras, desktops, notebooks, tablets e smartphones como serviços têm ganhado mais espaço e relevância no mercado nacional. A consultoria diz haver mais fabricantes interessados e um número crescente de fornecedores. A IDC estima que o mercado ultrapassará US$ 100 milhões terá crescimento acima de 21%. 8. Para crescer, IoT terá que enfrentar desafio dos custos Aplicações de internet das coisasa (ou IoT) dependem de uma mistura complexa de tecnologias e serviços, incluindo dispositivos, rede, plataformas, processamento etc. Apesar da possibilidade de melhorar qualidade, eficiência e experiência de produtos e serviço impulsionarem investimentos em projetos do tipo, implantações que visam reduzir custos operacionais e aumentar eficiência devem encontrar mais espaço do que projetos inovadores ou disruptivos. A expectativa do IDC é que esse mercado chegue a US$ 1,6 bilhão em soluções e serviços de IoT, crescimento de 17,6% sobre 2021. Manufatura, mineração, óleo e gás, varejo e utilities devem liderar as iniciativas. 9. Provedores de serviços cada vez mais consultivos Cada vez mais envolvidos com as áreas de negócios dos clientes, os provedores de serviços de TI deverão repensar posicionamentos em 2021. Mais de 61% das empresas querem uma mudança dessa natureza, revela o IDC. Isso se deve, é claro, ao posicionamento do CIO cada vez mais próximo às áreas de negócio das companhias (e eles esperam que os provedores caminhem com eles). O mercado de serviços de TI no Brasil deve crescer 6,7% em 2022, ultrapassando R$ 44 bilhões. Serviços gerenciados representarão quase metade (47%) do mercado e avançarão 7,6%. Grandes empresas (500 empregados ou mais) serão as maiores responsáveis pelo resultado. 10. Vestíveis ganhando o mundo (inclusive o corporativo) Os dispositivos vestíveis – ou wearables – ganharam terreno na preferência dos consumidores durante a pandemia, principalmente para controlar e medir atividades físicas e aspectos da saúde. Os relógios inteligentes (ou smartwatches) ainda representam o maior segmento desse mercado, mas há oportunidades no segmento corporativo, diz o IDC. Há fabricantes trabalhando em parceria com seguradoras e empresas de saúde. O mercado seguirá em crescimento, diz o IDC, com expectativa de 15,8% de aumento em unidades e 17,0% em valor, em comparação com 2021. Alianças B2B têm potencial de incrementar as vendas para além do varejo B2C.


Publicado em: itforum.com.br


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