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Fusões e aquisições no setor de energia podem chegar a R$ 30 bilhões


Em um ano que começou marcado pela alta volatilidade dos mercados e agora pressionado pela quebra de bancos nos Estados Unidos e crise no Credit Suisse, tradicional instituição financeira suíça da que foi comprada pelo UBS, as operações de fusões e aquisições no setor de energia no Brasil seguem firmes. Há vários ativos à venda, o que deve movimentar nos próximos meses algo entre R$ 25 bilhões e R$ 30 bilhões. Nos últimos meses, gigantes do setor elétrico e gestoras de investimentos colocaram negócios à venda, sobretudo na área de geração e distribuição de energia, sendo que os ativos de renováveis são a maioria. Enel e Neoenergia estão entre as vendedoras No pacote dos bancos de investimentos, há pelo menos sete importantes negócios que podem trocar de mãos ou receber aporte de novos investidores. Por exemplo: a gestora canadense Brookfield anunciou que vai se desfazer de parte de seus negócios de renováveis, agrupada na Elera, e já tem atraído interessados. A europeia Enel também está vendendo a Companhia Energética do Ceará (Coelce), uma transação que pode girar entre R$ 6 bilhões e R$ 8 bilhões (sem incluir dívida), apurou o Valor. A companhia italiana também contratou banco para a venda de parte dos ativos de renováveis do grupo, disseram fontes. Outra que busca vender parte de seus negócios é a Neoenergia (NEOE3), da espanhola Iberdrola, que contratou bancos para buscar um investidor em seu negócio de transmissão, operação de fusão e aquisição (M&A) de mais de R$ 2 bilhões, ainda conforme interlocutores que acompanham o processo. Eneva busca sócio para ativos de energia renovável A Eneva, por sua vez, também dá corpo a esse movimento. A companhia está em busca de um sócio estratégico ou financeiro para sua plataforma de ativos de energia renovável. A operação visa abrir espaço para capturar futuras oportunidade no mercado. A PEC Energia também quer atrair um investidor para poder fazer aportes em novos projetos eólicos, apurou o Valor. A fila é extensa. A francesa EDF também busca comprador para seu projeto eólico Folha Larga, assim como a Atlas, que quer se desfazer de seu portfólio solar, afirmam fontes. Na mesa dos bancos da Faria Lima com diferentes formatos de venda ou na busca de investidores, empresas de energia devem manter firmes os negócios de fusões e aquisições no país. Enquanto a Enel está se desfazendo de ativos não estratégicos na América Latina e Europa para reduzir suas pesadas dívidas, a gestora Brookfield busca renovação de seu portfólio com a venda de ativos mais maduros. CPFL pode estar em vias de adquirir Coelce da Enel Considerado mais resiliente, o setor de energia não está sendo contaminado pelo pessimismo de mercado, sobretudo o de capitais, e pelas perspectivas menos otimistas de crescimento do país, uma vez que são projetos de longo prazo. EDF também estaria reduzindo exposição de renováveis. Na Coelce, da Enel, investidores estratégicos já começaram a se posicionar. O Pipeline, serviço de informação do Valor Econômico, publicou na semana passada que a estratégia da CPFL de reduzir dividendos para manter mais dinheiro em caixa fez os analistas reforçarem o palpite de participação da companhia na disputa pela empresa da Enel. A concessionária vai pagar R$ 2,42 bilhões em proventos, que é metade do que o mercado esperava, tendo em vista a distribuição de todo o lucro no ano passado. O Citi e o UBS BB interpretaram como M&A à vista, mais do que conservadorismo de liquidez . As propostas não vinculantes à Enel pela Coelce serão entregues até o fim de abril, segundo fonte. Equatorial, Energisa e Iberdrola também devem disputar o ativo, que tem enterprise value (equity mais dívida) da ordem de R$ 10 bilhões. Mercado de energia renovável está quente na Faria Lima O chefe do banco de investimento do Bradesco BBI, Felipe Thut, diz que o setor de energia é hoje, no mercado, o mais quente para M&A. “Há vários mandatos para a venda de ativos, com muita coisa focada em energia renovável. Isso porque existe uma reciclagem de capital e investidores europeus vendendo ativos no Brasil”, comenta. Projetos “brownfields”, ou seja, aqueles que já estão de pé, têm atraído interesse de investidores e podem ajudar empresas vendedoras a reduzir pressão do seu balanço para se concentrar em planos de expansão futura. O chefe do banco de investimento do Citi, Eduardo Miras, explica que historicamente o setor de energia registra bastante movimento de negócios. “Esse setor sempre tem atividades, são ativos já contratados, previsíveis e protegidos da inflação”, diz. Venda de ativos para ajustar balanço Conforme o responsável pela área de M&A do Bank of America, Diogo Aragão, o movimento tem a ver com a necessidade dos operadores de reciclar capital, mas que é “necessário levar em consideração o apetite e capacidade de financiamento dos potenciais compradores”, frisa. Na prática, o setor de infraestrutura vem com negócios aquecidos no geral, diz o presidente do UBS BB, Daniel Bassan. Segundo o executivo, as características do setor ajudam a manter o M&A ativo no segmento, tal como retornos previsíveis e projetos já maduros, ou seja, menos arriscados. “Há boas oportunidades de compras”, diz. Além da renovação de ativos dos portfólios, existem ainda empresas que estão vendendo ativos para ajustar o balanço para seguirem com os investimentos de outros projetos. Para ele, uma alternativa, apesar do mercado mais volátil, seria uma oferta subsequente de ações para as empresas já listadas. Apetite grande por ativos ESG E a explicação da quantidade de ativos de renováveis ter sido colocada na mesa para negociação tem relação com o tema ESG , afirma o corresponsável pelo banco de investimento do Bank of America, Hans Lin. “A temática de transição energética e a consequente maior demanda por ativos de renováveis fizeram com que muitas empresas colocassem ativos à venda”, diz. É por essa razão, segundo Bassan, do UBS BB, que investidores europeus tendem a ser compradores e têm apetite pelos ativos ligados ao ESG, tal como as renováveis. “Na Europa, desde 2022, não há ‘net new money’ que não seja verde”, comenta. Procurada, a Eneva informou que está em busca de um sócio estratégico ou financeiro para sua plataforma de ativos de energia renovável. “Esse movimento visa abrir espaço para capturar futuras oportunidade de mercado. A companhia confirma essa estratégia, que foi apresentada no Eneva Day, seu evento anual com investidores, este mês.” Em fevereiro, a Coelce divulgou fato relevante complementando anúncio de novembro do ano passado em que sua acionista controladora direta, Enel Brasil S.A., deu início a procedimentos de análise e prospecção para possível alienação do controle acionário da companhia. Sobre o tema, a Enel não comenta. Por meio de um comunicado, a Neoenergia informa que “sempre estuda e avalia diversas alternativas e oportunidades de negócios”. A Brookfield não vai comentar o assunto. PEC Energia, EDF e Atlas não comentaram até o fechamento desta edição.



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