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De volta ao realismo: quem não merece investimento agora fica sem


O fim da exuberância de capital, com quase uma década de juro zero e investimentos impulsivos feitos apenas por videoconferência no auge da pandemia, é uma boa notícia para os investidores de venture capital. "Em 2020 e 2021, não se tinha muita coisa para fazer, todo mundo ficou em casa, fez muitas conferências online muitos e muitos investimentos entusiasmados, mas as coisas saíram do controle", disse a fundadora e sócia da londrina Connect Ventures, Sitar Teli, no Web Summit - evento de inovação que termina hoje em Lisboa. "Não sinto que o mercado está indo mal, mas há uma diferença do que estava acontecendo nos últimos anos — quando uma pessoa recebia US$ 40 milhões sem mesmo ter um produto — e o que acontece agora, que se aproxima mais do cenário de 2019 e 2018", ilustrou Teli. Na visão da engenheira mecânica e economista — a gestora que atua na indústria há 14 anos e e já investiu em startups como a plataforma de áudio SoundCloud —, o momento mais restrito de oferta de capital a startups, em um cenário macro desafiador, não é ruim porque retoma patamares mais realistas, vistos até 2018. Para Christian Nagel, sócio da Earlybird Venture Capital — uma firma de venture capital sediada em Berlin —, a crise deste ano guarda paralelos com o estouro da bolha das empresas de internet, no ano 2000. "Não temos uma bola de cristal, mas a boa notícia é que o mercado vai se levantar novamente, com certeza", disse. Stephan Morais, sócio e diretor geral do fundo de investimento português Indico Capital Partners, corroborou a avaliação, observando que a relação de oferta e demanda está mais equilibrada. "O que vai acontecer agora é que projetos que não deveriam receber tantos investimentos, de fato, não receberão". Teli aposta que o ciclo de baixa ainda será duro nos próximos anos para grandes empresas de capital aberto no mercado de tecnologia como as Fang (sigla para Facebook, Amazon, Netflix e Google). "Ainda teremos desaceleração, cortes e uma série de ajustes nos próximos anos" Embora iniciar um negócio tenha ficado mais caro, não só pelas barreiras econômicas, mas por falta de profissionais qualificados de tecnologia, os ganhos dos investidores serão maiores do que eram na década de juros zero, prevê Teli. "O número de usuários querendo usar sua tecnologia está crescendo rapidamente a cada ano, há novos países interessantes para se investir, então dependendo de que área de tecnologia você estiver, os ganhos serão muito maiores então, hoje me importo muito mais com o potencial do negócio".

Geoff Ralston, presidente da Y Combinator, uma das maiores do mundo, prevê uma "aterrisagem leve" da crise econômica no mercado e ponderou que há oportunidades para abertura de novos negócios nos Estados Unidos e no mundo todo. "Talvez entremos em recessão, mas não deve durar muito tempo. Temos bons dados sobre o índice de empregos, dados ruins sobre inflação e vamos ver como isso vai se equilibrar", avaliou o executivo. "A economia tem passado por coisas diferentes em relação a 2021 então é realmente importante, para nós, financiar aqueles que têm melhores chances de sobrevivência."




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