CI&T levanta US$ 195 milhões em IPO


A CI&T, companhia brasileira de serviços e produtos digitais que tem a Advent como acionista, chegou a disparar 30% em sua estreia ontem na bolsa de valores de Nova York. No fim do pregão, a alta foi de 20,8%. A correção de preços veio depois da ação ter sido precificada com desconto. A companhia levantou US$ 195 milhões em sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) e esse volume pode chegar a US$ 225 milhões, se os bancos coordenadores optarem pelo “greenshoe”. Anteontem, a CI&T precisou reduzir a faixa de preço e o volume de ações vendidas para manter a operação e driblar o receio de investidores globais com empresas brasileiras, mas ainda assim conseguiu chegar à bolsa americana avaliada em quase US$ 2 bilhões - um feito diante da imagem do Brasil no exterior nas últimas semanas. A ação saiu a US$ 15 cada, ante faixa inicial de US$ 17 a US$ 19. “Nas últimas semanas, o Brasil passou uma mensagem preocupante, refletindo um cenário turbulento lá para fora e a gente teve que considerar isso e fazer esse ajuste. Mas como a empresa tem estabilidade e os investidores sabem que mais de metade da nossa receita vem em moedas fortes, isso nos permitiu continuar com a estratégia”, disse Cesar Gon, cofundador e presidente da CI&T. Com parte dos recursos, a companhia quer fazer aquisições nos Estados Unidos e na Europa. Em junho, a CI&T realizou sua aquisição mais expressiva com a compra da Dextra. Assim como a CI&T, a Dextra cria produtos digitais “end-to-end”, no jargão do setor, desde design à execução de software. Pagou dez vezes o Ebitda em uma transação 100% em dinheiro. No portfólio de clientes, a brasileira conta com nomes como Google, HP e Coca-Cola. A CI&T foi fundada em 1995 por três colegas recém-formados em engenharia da computação na Unicamp - Cesar Gon, Bruno Guicardi e Fernando Matt - em uma garagem. E foi da garagem que saiu a garantia para um primeiro financiamento com o BNDES, com o Fusca 71 de Gon de aval. O bloco de controle da CI&T continua com os fundadores e sócios executivos, que antes do IPO tinham 60% da empresa e o restante era da gestora Advent. Em 2020, a companhia teve receita líquida de R$ 956,52 milhões, alta de 41,3% ante o ano anterior. O lucro líquido subiu 125,7%, para foi de R$ 127,65. A empresa tem 4 mil funcionários em oito países.

Publicado em: valor.globo.com


Este texto foi originalmente publicado pelo Pipeline, o site de negócios do Valor Econômico

4 visualizações0 comentário