Agasus capta R$ 120 milhões em debêntures

Dívida é um mecanismo cada vez mais comum de financiamento na área de locação.



A Agasus, empresa de locação, serviços e vendas de equipamentos de TI, vai captar R$ 120 milhões em debêntures, um tipo de emissão de dívida comum como forma de financiamento no segmento.

Uma debênture é um título de dívida, de médio e longo prazo, pelo qual uma empresa pode captar recursos no mercado de diferentes investidores. A demanda pelos papéis da Agasus superou a oferta em 40%.

“O interesse de grandes nomes na emissão reforça a credibilidade do modelo de negócio da Agasus, bem como em nossa performance”, avalia Rene Almeida, Co-CEO da Agasus.

Segundo o executivo, 70% do valor captado na emissão de debêntures serão utilizados na aquisição de equipamentos para locação.

O restante será utilizado para otimizar a estrutura de capital, com aumento da eficiência de geração de caixa da empresa.

A empresa vem em alta, com um faturamento de R$ 80 milhões em 2020 e projeções de crescimento para R$ 140 milhões em 2021 (alta de 75%) e R$ 220 milhões em 2022 (alta de 50%).

Nos últimos dois anos, a Agasus elevou de 65 para 220 o número de funcionários, e consolidou um parque de equipamentos de mais de 110 mil itens, alugados para 1,2 mil clientes em todo o Brasil.

A Agasus aluga equipamentos como desktops, notebooks, smartphones e tablets, oferecendo os serviços de setup, logística, service desk e manutenção incluídos nos pacotes de locação.

A empresa ainda atua com a venda de equipamentos seminovos, por meio da divisão Agasus Seminovos, operação que teve início com a aquisição da JR1 em 2020.

Esta emissão de debêntures é a segunda operação realizada pela Agasus desde que o fundo de investimentos 220 Capital adquiriu o controle da companhia, em 2019.

Na primeira emissão de debêntures, que resultou na captação de R$ 50 milhões, em fevereiro de 2020, a Agasus também visava usar os recursos para investir na aquisição de equipamentos.

O timing da emissão não podia ser melhor. No mês seguinte, explodiu a pandemia do coronavírus, o que aumentou muito a demanda por locação de equipamentos, na medida em que muitas empresas mandaram milhares de funcionários trabalhar de uma hora para outra.


Outro fator que catalisou a aceleração da Agasus foi a falta de equipamentos novos em alguns momentos do ano, dadas as rupturas de fornecimento, além da alta na cotação do dólar, dois incentivos para alugar equipamentos no lugar de comprar. A Agasus registrou alta de 300% na procura por seus serviços.

A Agasus não é a única faturando alto nesse segmento, nem a única emitindo debêntures.

A Plugify, startup brasileira de aluguel de hardware, emitiu R$ 32,6 milhões em debêntures para financiar a sua expansão em maio.

Foi também o segundo aporte do tipo, seguindo de um de R$ 10 milhões em 2020. O modelo de financiamento por dívida faz mais sentido para empresas nesse segmento do que vender participações na empresa para investidores, uma vez que, na prática, o que as empresas fazem é fazer um empréstimo aos seus próprios clientes, na forma de equipamento.

A aposta das empresas e dos investidores emprestando caminhões de dinheiro para elas, é que o modelo de locação veio para ficar, independente da crise do coronavírus, na medida em que as empresas buscam substituir custos de capital por custos operacionais.

No caso da locação de equipamentos, parece haver muita margem para crescimento no país ainda.

Nos Estados Unidos, 80% das empresas já alugam seus equipamentos de TI, enquanto no Brasil o serviço contempla apenas 10%, segundo dados da IDC.

Algumas empresas de porte entraram no mercado no ano passado, de olho no oba oba da pandemia e alterando o ecossistema, até então dominado por players especializados, ou divisões de grandes empresas de hardware.

Uma delas foi a Oi, que lançou o Oi Informática, uma oferta de aluguel mensal de notebooks e desktops com instalação e suporte técnico aos clientes corporativos (a Vivo tinha algo parecido desde 2014).

Quem já estava, também tentou aproveitar. A Positivo, por exemplo, eliminou o período mínimo de 36 meses para contratos do tipo em março, logo no começo da pandemia. No terceiro trimestre, a divisão As a Service da Positivo teve um crescimento de 60%, quando comparado com o mesmo trimestre do ano passado, e de 100% frente ao trimestre anterior.


Publicado em: www.baguete.com.br

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