Chineses de olho no Brasil



O plano quinquenal do governo chinês indicou os passos que a segunda maior economia do mundo irá tomar, nos próximos anos, no que diz respeito ao mercado interno. Já como parte do plano de expansão internacional, a vontade de as empresas asiáticas crescerem no exterior passa pela compra de ativos ao redor do mundo. Em busca pelas melhores oportunidades de retorno e com menos risco, a China aponta que quer manter o apetite global. Considerado o país com maior destaque entre as quatro nações emergentes (Brasil, Rússia e Índia) que fazem parte do bloco dos BRIC, a China está em busca do aumento de escala e de participação mais ativa em bons negócios. Além disso, busca garantir o suprimento de commodities frente a uma crise iminente de energia com uma demanda que poderia pôr em perigo a segurança energética, o crescimento econômico continuado e o desenvolvimento sustentável da sociedade. A China vive um novo momento da matriz de energia cada vez menos dependente do carvão com a entrada das empresas de recursos renováveis, seguindo uma tendência mundial. As duas culturas se aproximam a cada ano e o que vemos é que o Brasil aparece como um dos países alvos preferidos dos investidores chineses. Nesse sentido, dois setores da indústria de energia e recursos renováveis no Brasil têm chamado a atenção - energia elétrica e óleo e gás. Para se ter uma ideia do avanço dos asiáticos em direção ao Brasil, no período de 2003 a 2017, a China se envolveu em 250 projetos aqui no país, sendo que 93 foram confirmados, totalizando US$ 53,5 bilhões, segundo o Ministério do Planejamento. Desse montante, 85% referem-se a projetos nas áreas de energia e mineração e geração e transmissão de energia elétrica. Entre os negócios fechados pelos chineses com empresas brasileiras focados nas áreas como energia estão a State Grid que comprou a CPFL e a CPFL Renováveis; a vitória da State Power Investment Corporation no leilão da hidrelétrica de São Simão. Além dessas, as maiores corporações do petróleo chinês estão por aqui: a China National Petroleum Corporation, a Sinopec e a China National Offshore Oil Corporation. Não há como negar que o Brasil é considerado um parceiro importante porque fornece produtos estratégicos que vão garantir o crescimento sustentável da China. Além disso, o Brasil passa pelo plano de expansão internacional dos investidores chineses por quatro motivos: o acesso ao mercado hoje é mais aberto; há o interesse de o governo trazer investimentos externos; o preço dos ativos está mais acessível do que alguns anos atrás; e a vontade da China em marcar presença no mercado brasileiro. Vale destacar que temos como desvantagem o fato de os concorrentes globais terem uma economia mais estável, o que favorece o planejamento a longo prazo. Para este ano, nada indica uma diminuição do apetite dos chineses por investimentos brasileiros e acredita-se que esse movimento irá continuar, independentemente do resultado das urnas eleitorais no Brasil. O apetite ainda está longe de ser saciado o aumento da presença dos asiáticos parece mesmo para valer. De certo, sabemos que os eles estão apreendendo com a dinâmica da economia brasileira e com a variação do câmbio e devem continuar como atores relevantes nos próximos anos.

Daniel Lau é diretor do China Desk da KPMG

Publicado em DCI

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