Grupo SEB avança com aquisições no Ensino Fundamental



Em apenas cinco meses, o empresário Chaim Zaher, dono do Grupo SEB, investiu quase R$ 300 milhões em cinco transações. Ontem, Chaim comprou a plataforma tecnológica educacional brasileira Scules by Mosyle. O valor do negócio, segundo fontes, foi de R$ 4 milhões. A transação foi feita por meio da Conexia, braço do SEB criado no ano passado para oferecer serviços pedagógicos e administrativos ao mercado de escolas de educação fundamental. A Mosyle tem ainda uma operação internacional, do qual o SEB ficou com uma fatia minoritária. "A aquisição da Mosyle faz todo sentido porque é complementar aos demais negócios da Conexia", disse Chaim, que está colocando recursos do próprio bolso na operação. A meta do empresário é criar um grande grupo de educação básica - formado por escolas próprias e prestação de serviços educacionais para o mercado - para uma possível abertura de capital em 2018. No ano passado, o grupo teve faturamento de R$ 500 milhões. De dezembro para cá, Chaim adquiriu a rede canadense de escola infantil bilíngue Maple Bear por US$ 50 milhões e desembolsou R$ 25 milhões pelo sistema de ensino Múltiplos, da Oxford University. Além disso, recomprou o sistema de ensino Pueri Domus por R$ 20 milhões - um negócio vendido por R$ 175 milhões à Pearson em 2010 - e está colocando mais R$ 75 milhões na construção de uma unidade da escola Concept na cidade de São Paulo. A menina dos olhos de Chaim e de sua família é a Concept, colégio premium com metodologias pedagógicas inovadoras que já recebeu aportes de R$ 250 milhões em três unidades localizadas em Ribeirão Preto (SP), Salvador e São Paulo. Além dos colégios próprios, o SEB aposta alto na prestação de serviços para escolas que não têm recursos para comprar tecnologia aplicada à educação ou preferem terceirizar essa área. Por isso, o interesse na plataforma Mosyle. Atualmente, 40 mil alunos de vários colégios, como o Dante Alighieri, em São Paulo, estudam com essa ferramenta. Os colégios do grupo SEB (Pueri Domus, SEB, Dom Bosco, Concept, GEO, Esfera) também usam há três anos essa plataforma e são os principais clientes da Mosyle, representando 30% da receita. A meta do SEB é que a plataforma Mosyle seja adotada por 200 mil alunos até o fim de 2018. Desse total, praticamente metade já está garantida, uma vez que a Conexia tem 90 mil alunos utilizando um dos seus serviços, como os sistemas de ensino Pueri Domus, que é vendido para 120 escolas do país. Segundo Leandro Martins, diretor de mercado da Conexia, a plataforma Mosyle, cuja receita anual é de R$ 3 milhões, tem duas características que despertaram atenção e o motivaram a fechar a aquisição. Uma delas é que a ferramenta apresenta em tempo real o desempenho do estudante, mostrando suas dificuldades e habilidades durante as tarefas. "Com isso, o professor pode moldar atividades personalizadas para o aluno", disse Martins. Além disso, a plataforma permite ao professor gerenciar aplicativos usados pelos alunos em tablets e celulares durante a aula, ou seja, é possível bloquear alguns dispositivos a fim de evitar que a atenção se disperse. A prestação de serviços acadêmicos para escolas menores é uma das principais apostas de grandes grupos educacionais. Além do SEB, seguem caminho semelhante a britânica Pearson, a espanhola Santillana e a brasileira Somos Educação. No ensino superior, a americana Ilumno (antiga Whitney) também está investindo em prestação de serviços acadêmicos e administrativos para faculdades menores e menos profissionalizadas.

Valor Econômico Leia mais em portal.newsnet 11/05/2017

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